1914 e eu

Da minha parte, o registro que faço neste centenário – mesmo passado tanto tempo – foi o profundo respeito que João Agripino teve com aquele jovem de apenas 22 anos, sonhando em empreender

Cidades | Em 26/03/14 às 16h51, atualizado em 26/03/14 às 16h52 | Por Roberto Cavalcanti

1914 foi um ano de muitas coincidências; realmente uma data muito marcante para mim.

E para a Paraíba.

Naquele ano, por exemplo, o Papa Pio X decidiu elevar a Igreja paraibana a condição e dignidade de Arquidiocese – uma decisão que (os sinos avisam) todos os templos católicos celebram neste centenário.

Mas você deve estar fazendo aas contas e pensando: século passado? 1914? E Roberto é tão velho assim?

Não, claro que não estava lá. Não vivi 1914.

Mas posso assegurar que, sem os fatos que ocorreram naquele ano, nem aqui na Paraíba estaria contando esta história.

Pois não teria nem pai nem mãe.

Foi em 1914 que Doutor René Ribeiro e Beatriz Cavalcanti Uchoa Ribeiro – meus pais - nasceram.

Também foi neste ano que outra pessoa, que viria a ser importante em minha vida, veio ao mundo fazer história na Paraíba.

Estou falando do ex-governador João Agripino, responsável pela minha vinda de Pernambuco para este Estado.

Era 1968 e o jovem Roberto tinha apenas 22 anos quando foi recebido pelo então governador. Naquela época, Agripino empreendia forte campanha de atração da classe empresarial brasileira para a Paraíba.

Vim nesta leva. E aqui estou até hoje.

O que mais encantou o jovem Roberto naquele primeiro encontro, e nos que os sucederam, foi a competência de Agripino no uso da plenitude do poder de um governante. Ele parecia saber onde começava e terminava cada engrenagem de seu governo – e ditava seu ritmo.

Para começo de conversa, ele tinha muita visão empresarial. Basta dizer que, dentre os marcos de sua administração, está a construção do Hotel Tambaú. Passados mais de 40 anos, foi justamente lá que a população paraibana rendeu recentemente as homenagens a Agripino por seu centenário.

Também integram o pacote de suas ações a criação do Tribunal de Contas do Estado, a normatização do gabarito da altura de construções no litoral paraibano (que o tempo e o vento provaram ser o grande diferencial, por exemplo, de João Pessoa, livre dos arranha-céus que entulham as orlas das demais capitais) e a criação do Cempar, que mais tarde iria se transformar em Companhia de Desenvolvimento da Paraíba, a Cinep.

Em sua ampla visão logística também constam a criação do Anel do Brejo – que agrega as rodovias da região – a criação da Suplan, o órgão de planejamento do Estado, e o embrião do que no futuro viria a ser o Sebrae.

Sua competência era tamanha que, após o governo da Paraíba e o cargo de ministro do Tribunal de Contas da União, a iniciativa privada absorveu Agripino – usufruindo seu talento e visão.

Mas, para além dos feitos, o que mais impressionava em Agripino era sua personalidade forte e seu destemor. Dono de uma voz suave e pausada, deixava sua audiência sempre em silêncio quando comandava suas reuniões.

As pessoas ouviam Agripino. E deviam de fato fazê-lo pois era um cumpridor da palavra empenhada. Uma das características, diga-se de passagem, que todo Maia ostenta.

Para completar o perfil da família, era também um profundo apreciador das coisas belas.

E quem conhece os Maias sabe que esta é uma condição praticamente genética da família: cumprir a palavra e ser absolutamente encantado com o universo feminino.

Da minha parte, o registro que faço neste centenário – mesmo passado tanto tempo – foi o profundo respeito que João Agripino teve com aquele jovem de apenas 22 anos, sonhando em empreender.

Um sonho que ele ajudou a transformar em realidade.

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